quinta-feira, 29/10/2026

Olivia Wilde como dominatrix inspira a geração Z a explorar sua sexualidade de maneira mais confiante em ‘I Want Your Sex

O cineasta Gregg Araki, figura emblemática do New Queer Cinema, sempre explorou a complexidade do sexo em suas obras, trazendo à tona tanto a seriedade quanto o ridículo das relações íntimas. Em sua mais…

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O cineasta Gregg Araki, figura emblemática do New Queer Cinema, sempre explorou a complexidade do sexo em suas obras, trazendo à tona tanto a seriedade quanto o ridículo das relações íntimas. Em sua mais recente produção, “I Want Your Sex”, que estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (22), Araki apresenta uma nova perspectiva sobre a sexualidade contemporânea, focando nas experiências da geração Z, que, por diversos motivos, se vê emaranhada em tabus e inibições.

A narrativa gira em torno de Elliott (Cooper Hoffman), um jovem assistente de Erika Tracy (Olivia Wilde), uma artista audaciosa e mais velha que ele. O filme aborda a dinâmica de poder entre os dois, com Elliott preso em um relacionamento sem paixão com Minerva (Charli XCX), enquanto sua atração pela chefe se intensifica. Erika, que assume um papel de dominadora, desafia os limites de Elliott, levando-o a questionar suas próprias barreiras sexuais.

Wilde, que vive uma dominatrix convincente, contrasta com sua interpretação anterior de uma mulher frustrada em um casamento falido, demonstrando sua versatilidade como atriz. O filme utiliza o humor e a cor, características marcantes de Araki, para apresentar a sexualidade como uma experiência frequentemente desajustada e vulnerável. Ao contrário dos filmes eróticos tradicionais, “I Want Your Sex” é leve e pop, mesmo quando aborda temas mais sérios.

No entanto, é importante notar que o roteiro, com sua visão de fora sobre a geração Z, nem sempre acerta ao retratar os dilemas dos jovens. Embora a crítica social seja uma tentativa bem-vinda, alguns diálogos soam caricatos, revelando uma falta de conexão entre os roteiristas e os personagens que pretendem representar. A estrutura do filme também parece um tanto dispersa, especialmente em sua conclusão, deixando algumas questões em aberto.

Apesar de suas falhas, “I Want Your Sex” se destaca como uma produção divertida e provocativa, que não se leva excessivamente a sério. Em meio a uma indústria cinematográfica saturada de reboots e franquias, a obra de Araki se mostra original e irreverente, trazendo um frescor necessário ao debate sobre sexualidade, com momentos que prometem risadas e reflexões. Neste sentido, o filme se insere como uma crítica construtiva e bem-humorada à juventude atual, reafirmando que, quando se trata de sexo, todos têm algo a aprender e a desconstruir.

Crédito da imagem: Cooper Hoffman e Olivia Wilde em 'I Want Your Sex' (2026)